[Resenha] A Cidade do Sol - Khaled Hosseini



A Cidade do Sol || Drama , Romance , Ficção || Khaled Hosseini || Globo Livros || 384 || 2017 



Sinopse:
Em homenagem aos 10 anos de publicação, a Globo Livros lança edição comemorativa da obra, que traz prefácio inédito e exclusivo do autor.

1959, Herat. Do relacionamento proibido entre um rico comerciante de uma das maiores cidades do Afeganistão e uma de suas empregadas nasce Mariam, uma jovem marcada pelo ostracismo e a tragédia que, rejeitada pelo pai, vive em um casebre na periferia com a mãe, tendo como único passatempo, além dos afazeres domésticos, observar os mosquitos, as flores e as pedras. Ainda adolescente, perde a mãe e é obrigada a se casar com um desconhecido trinta anos mais velho e cumprir o seu dever como mulher: servir ao marido e lhe dar muitos filhos. O destino, entretanto, parece ter outros planos para Mariam, assim como para seu país.

1993, Cabul. Laila tem catorze anos. Filha de um intelectual, ela cresceu sendo incentivada a estudar, cursar uma universidade, ter uma carreira e só depois, se assim o desejasse, pensar em se casar. Entretanto, quando seus dois irmãos são enviados para lutar contra os soviéticos, a mãe passa a ignorá-la e a se isolar em sua tristeza. Laila se vê então obrigada a assumir as responsabilidades da casa, enquanto tenta manter sua rotina na escola, seus encontros com as amigas e sua paixão secreta pelo vizinho. Laila havia sido criada para ser quem ela quisesse, entretanto, logo a guerra irá lhe mostrar que nem sempre seus desejos podem se tornar realidade.

Mariam e Laila são duas mulheres com idades, trajetórias e origens opostas que acabam unidas pelas tragédias da guerra e as restrições impostas pelo talibã. Seus destinos se cruzam de forma inexorável, e elas, em todas as suas diferenças, se provarão como suas únicas fontes de alegria, amizade e esperança. Ambas representam uma legião de mulheres afegãs que lutam todos os dias pela garantia de seus direitos mais básicos e por pequenos momentos de felicidade.


Mariam 
é uma bastarda, filha de um grande comerciante em Herat com uma aldeã. Ela nunca teve noção da dimensão dos problemas que sua existência representava para o seu pai Jalil. Tinha uma mãe dura, grossa, sofrida, e seu pai sempre tão meigo e carinhoso era seu Porto Seguro, seu sonho de família feliz. 


Mas quando Mariam foge com 15 anos para tentar encontrar o pai que prometeu levá-la ao cinema e não apareceu, aquela pequena liberdade lhe custa muito mais do que ela esta disposta a pagar, naquela noite sua mãe comete suicídio, Mariam é levada a casa do pai, mas permanece por pouco tempo lá, já que as esposas não querem uma bastarda em sua casa, e assim ela é entregue em casamento á Rasheed, um sapateiro 30 anos mais velho que ela. 


" - Aprenda isso agora e aprenda bem, minha filha: assim como a agulha de uma bússola aponta para o norte, o dedo acusador dos homens sempre encontra uma mulher. Sempre. Lembre-se disso Mariam." 

Ela então é arrastada até Cabul, e lá começa uma nova vida, mas quando ela percebe que não poderá dar a Rasheed aquilo pelo que ele anseia, ela se torna um peso e as surras são apenas um lembrete diário de sua nova situação.


Do outro lado da rua em Cabul nasce Laila, uma jovem linda e com uma perspectiva de vida completamente diferente da de Mariam. Com um pai professor, a garota tem a oportunidade de estudar e viver os melhores momentos ao lado de seu amigo/amor Tariq, mas é quando a guerra se inicia e Laila perde tudo, que os caminhos dessas duas mulheres se cruzam, causando mudanças poderosas e esperançosas na vida de ambas. 

Há 10 anos atrás tive a oportunidade de ler essa história, mas naquela época não me apeguei a nada mais que as duas mulheres, e apesar de lembrar que a história é linda, não conseguia juntar as peças e me lembrar de tudo!!! Agora, dez anos depois, eu me pego revivendo essa história é prestando atenção nos pequenos detalhes que não percebi naquela época. 


A Cidade do Sol é muito mais que um romance, é uma linda história de vida entre duas mulheres afegãs! O livro retrata as crueldades sofridas por aquele povo desde a primeira invasão Soviética, mostrando para o leitor muito mais por trás daquilo que apenas vemos nos jornais. 


"(...) Laila meu amor , o único inimigo que um afegão não consegue vencer é a si mesmo."

É uma história sensível, tocante é desesperadora, que mostra a busca de duas mulheres pela felicidade, e o caminho árduo da dor e humilhação passado por inúmeras delas, além de mortes é mais mortes. Khaled é um grande escritor, e apesar de gostar muito de O caçador de Pipas, para mim, A Cidade do Sol é muito melhor e mais intenso, uma história que me marcou por uma década e vai continuar me marcando.


Com uma narrativa em terceira pessoa, o autor nos apresenta as personagens, mas Laila só aparecerá quando Mariam estiver com 29 anos, e assim as histórias vão se cruzando até que as duas estejam debaixo do mesmo teto aguentando as crueldades do mesmo homem.Com uma escrita espetacular e eletrizante, Khaled vai narrando os acontecimentos não só da vida das mulheres, mas também da história do Afeganistão, uma guerra por poder sem precedentes que assolou as terras do país e arrastou milhões de vidas para a morte. 

Se você ainda não conhece essa história, se aventure, se deixe abrir os olhos para a realidade de um país que mesmo depois de 10 anos continua em guerra e na miséria. Uma história que merece ser lida por pessoas de todas as idades, porque nunca se é novo ou velho de mais para se tornar humano perante nossos iguais.


A nova edição feita pela parceira Globo Livros vem com uma capa linda, a capa antiga foi modernizada e mantém o padrão, a edição é comemorativa de 10 anos da história e vem com um prefácio escrito pelo autor, diretamente para os leitores brasileiros, mais que uma honra. Diagramação confortável e revisão no padrão.

Uma releitura que mexeu com meu coração mais do que a primeira vez, estar na hora certa e ter a maturidade certa para entender uma obra fazem toda a diferença.




6 comentários:

  1. Confesso que comecei esse livro e o marcador ficou na metade, deixei de lado e nunca mais peguei. Não estava em um bom momento, mas pela sua resenha sei que preciso retomar. Minha edição ainda é a da antiga e é versão econômica, comprei na Avon kkk, mas está valendo.

    Beijos.
    https://cabinedeleitura0.blogspot.com.br/

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  2. Eu sempre tive interesse em ler "O Caçador de Pipas", mas nunca parei para saber mais sobre esse livro. Ao ler sua resenha, fiquei interessado e já vou adicionar na lista de desejados. Parece ser uma história emocionante.

    Abraço!

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  3. Caramba que livro é esse!? Fiquei impactada lendo suas impressões e com certeza o leitor desse livro sairá diferente após a leitura desse e dos outros enredos do autor. Confesso que não é muito "minha praia" mas entendi seus argumentos, enfim quem sabe um dia!? Valeu pela indicação e parabéns pela releitura!!!

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  4. Oie, tudo bem?!? Eu simplesmente amo os livros desse autor. As vezes vejo as pessoas comentando que não gostam pelas questões reais expostas, mas para mim, é exatamente aí que reside a beleza de suas obras.
    Bjs

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  5. OOOiiiii, sou completamente apaixonada por essa história... Lembro que tive uma boa ressaca literária, passei dias pensando sobre a história e seu desenrolar... Amei a capa nova!

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  6. Olá! Uma amiga me indicou esse livro, não imaginava a intensidade dessa história. Primeiro que era de uma outra cultura, nunca havia lido nada sobre. E segundo, as protagonistas em si, é um livro que te faz sentir, mexe com seu emocional mesmo! Beijos!

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